quinta-feira, 1 de maio de 2008

A rosa de Hiroshima


Poesia de Vinícios de Morais,transformada em música por Vinícios e Gerson Conrad,Sobre a explosão atômica de Hiroshima em 06 de agosto de 1945 as 8h15.


Essa rosa, que escureceu há sessenta anos os céus de Hiroshima e se transmutou em chuva escura que envolveu aquela cidade em tenebrosa e preta mortalha, continua pairando como ameaça real e assustadora sobre os céus de todo e qualquer lugar onde há vida ainda hoje. Se a visão tétrica da rosa sem cor, sem perfume, sem nada, não é capaz de continuar impressionando nossa memória, que ao menos as feridas o sejam. Pensemos nas feridas e nos feridos. Pensemos na chaga que a bomba abriu e ainda sangra das veias abertas e hemorragiadas da humanidade. Pensemos. Amanhã pode ser tarde.

 Maria Clara Lucchetti Bingemer








Rosa de Hiroshima
(1973)

Composição: Vinícius de Moraes e Gerson Conrad

Interpretação: Secos e Molhados
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas

Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária

A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica

Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada

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